sábado, 28 de agosto de 2010

A moda do Rivotril!!!


O Brasil tem um recorde: é o maior consumidor mundial do medicamento Rivotril, nome comercial para a substância clonazepam, fabricado pela Roche. O remédio é indicado para transtornos de ansiedade, desde a angústia persistente até a síndrome do pânico. Serão 2,1 toneladas vendidas por aqui em 2010, o que o coloca em segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas do Microvlar, anticoncepcional comprado pelo governo para o SUS. Em 2004, era o 4º da lista.
Há comunidades no Orkut intituladas "Rivotril é o meu melhor amigo". Pedro Bial disse numa entrevista que às vezes tomava Rivotril antes de entrar no ar com o Big Brother. Há dependentes de cocaína que usam o remédio para conseguirem trabalhar no dia seguinte. É consumido até para TPM. E por aí vai.
O que o faz tão popular é a eterna busca da paz e do equilíbrio. Desvirtuado de suas finalidades originais, vem sendo empregado para aliviar tensões do dia a dia. Ao provocar a redução do nível de atividade em áreas cerebrais hiperativas, torna o indivíduo menos suscetível a estímulos externos. Não é exagero falar em fuga. Como fica agindo no organismo por cerca de 18 horas, é o preferido da classe. O preço também ajuda: 30 comprimidos de 0,5 mg saem por cerca de 8 reais.
Mas... causa rápida dependência física e psicológica, a sedação pode provocar acidentes e a abstinência pode acabar numa emergência de hospital. Além disso, não resolve os problemas. Eles ficam lá, à espera de solução. Dá também uma falsa sensação de aumento de produtividade, simplesmente porque o nível de ansiedade fisiológica, necessária às atividades diárias, diminui. Para completar, o raciocínio fica mais lento, dentro daquilo que no jargão médico é conhecido por perda cognitiva. Se a perda é ou não permanente devido ao uso crônico, ainda é uma incógnita.
Dar adeus ao Rivotril significa aprender a lidar com ansiedade. Terapias breves podem ajudar bastante. Também uma viagem, aquela pizza saborosa, andar de bicicleta ou um passeio na praça, permitir-se um tempo para si e relaxar um pouco. Ou até mesmo entender os fantasmas que motivaram a visita ao balcão da farmácia.
(Luiz Fernando de Campos Velho - Médico)

Nenhum comentário:

Postar um comentário