Entre uma caneca de chocolate quente, um cobertor aconchegante e os casacos tirados do armário, uma melancolia que vem não se sabe de onde. Os dias cinzas e frios do inverno, lindos e confortáveis para os que gostam mesmo é de distância do calor, também são marcados pelos sintomas da depressão de inverno, conhecida também como depressão sazonal por, normalmente, ir embora com a estação do ano.
A estimativa é de que, em países onde o inverno é bastante rigoroso e com dias de pouca luminosidade, cerca de 10% da população desenvolva a depressão de inverno. Já em países com temperaturas amenas no inverno, como o Brasil, por exemplo, o mal atinge 1% da população. Embora a incidência de casos seja maior em países com invernos rigorosos, é preciso atentar para os sintomas, principalmente se forem recorrentes.
Os sintomas são praticamente idênticos aos da depressão “comum”: mudanças de apetite com ganho de peso, sonolência, cansaço sem explicação, mau humor, irritabilidade, tendência ao isolamento, falta de motivação, recorrência de pensamentos negativos, vontade de chorar, falta de prazer, tristeza, entre outras sensações desconfortáveis.
“Não há motivos específicos para o surgimento da depressão sazonal, porém, observa-se um maior número de casos em dias escuros, nublados e com menor incidência de raios solares”, explica a psicóloga Maria Celina Nicoletti, especialista em psicologia clínica.
A psicóloga atenta, ainda, para o fato de existir, normalmente, uma tendência depressiva anterior em indivíduos que desenvolvem uma depressão de inverno.
Algumas linhas de pesquisa apontam que a causa da doença está na falta de luminosidade que, por períodos longos, gera menor disposição e mais sonolência no organismo humano, além dos demais sintomas. “Inclusive há estatísticas que indicam que o número de suicídios por depressão é maior em países de clima frio, ressalta Nicoletti.
Adaptação climática
Já para o psiquiatra Evandro Luís Borgo, a depressão de inverno pode ser definida como uma falha na adaptação humana às mudanças climáticas. Ele aponta, também, a diminuição da luminosidade ocorrida nos meses de inverno, principalmente em lugares de frio mais intenso, como um fenômeno natural capaz de afetar o humor.
“Os dados apresentados não são totalmente conclusivos, mas há fortes indícios de que ocorra uma alteração no ciclo circadiano, o qual rege nosso estado de sono e vigília, assim como na concentração de hormônios como a melatonina, também responsável por regular a sonolência e a disposição”, acrescenta Borgo.
Em casos de depressão “comum” diagnosticada, o tratamento fica a critério do profissional. O tratamento farmacológico feito com antidepressivos e psicoterapia é o mais usado. A fototerapia também é um recurso utilizado em alguns casos, principalmente em países onde o frio é muito intenso.
Por outro lado, nem toda tristeza é depressão. O que difere o sentimento da patologia é, principalmente, sua intensidade e duração. “Na tristeza, a pessoa tem uma causa para o sofrimento. Já na depressão, o sentimento de melancolia profunda pode vir do nada ou de forma desproporcional aos eventos de vida. Por isso a importância de atentar aos sintomas”, ressalta o psiquiatra.
Ana Paula Pessoto (http://www.jcnet.com.br/mostra_fotocapa.php?codigo=3626)
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